Faltando poucos dias para ser concluído, o inquérito policial que investiga a morte da jovem Marta Isabelle dos Santos, 16 anos, aponta que a vítima passou por momentos de intensa tortura física e psicológica, além de ter sido submetida a situações de total crueldade praticadas pelo próprio pai, avó paterna e madrasta. As investigações confirmam que toda a barbárie dos três envolvidos resultou na morte da adolescente, fato registrado no último dia 24 de fevereiro, dentro da própria residência, no Bairro Jardim Santana, zona Leste da Porto Velho/Rondônia.

O caso, que chocou a sociedade rondoniense e repercutiu tanto em Rondônia quanto em outros estados, aponta para um ambiente de violência sistemática e condições degradantes às quais a vítima era submetida. As investigações da Polícia Civil de Rondônia (PCRO) começam a tomar outros rumos com a possibilidade de outras pessoas estarem envolvidas sendo coniventes com o que estava ocorrendo com a vítima. De certo, até o momento das investigações e que fazem parte do inquérito policial, é que há indícios de privação de alimentação adequada, restrição de liberdade e sinais de agressões físicas recorrentes.
A polícia também destacou que a vítima estava isolada do convívio social, sem acesso regular à escola e a atendimento médico. As investigações apontam, inclusive, que a jovem estava sem estudar desde 2023, quando foi solicitada à escola que estava matriculada a transferência da mesma para outro estado, fato confirmado pela Secretaria de Estado da Educação, conforme nota divulgada na última semana.
Durante uma coletiva imprensa, realizada na terça-feira (3), a diretora da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Leisaloma Carvalho, enfatizou que o pai e madrasta foram indiciados pelos crimes de feminicídio, cárcere privado e tortura. A avó foi indiciada por cárcere privado e tortura, com fundamento no artigo 13, §2º, do Código Penal, diante da apuração de que possuía o dever jurídico de agir e proteger a jovem Marta Isabelle, mas agiu de forma contrária.
TEIA DE MENTIRAS DO PAI, MADRASTA E AVÓ
As investigações também apontam que os três acusados mentiam quando era perguntado sobre o paradeiro da jovem, dizendo que a mesma estaria estudando ou em retiro religioso. A própria mãe da adolescente, que mora na Paraíba, relatou à polícia que todas as vezes que ligava para falar com a filha quem atendia era a madrasta que inventava mentiras para tentar disfarçar a ausência da adolescente na residência.

E as investigações não param por aí. A delegada enfatizou que elementos robustos de informações no inquérito apontam além de tortura física e psicológica, possível caso de violência sexual, praticada pelo próprio pai da vítima. A Polícia Civil está concluindo os trabalhos e aguardando os exames de material biológico da vítima.
Quando ainda viva e amarrada na cama, a adolescente teve o corpo infestado de larvas nos ferimentos causados pelos cabos de fio elétrico, amarrados com tamanha força para evitar sua fuga. A Polícia Civil reafirma seu compromisso com a apuração rigorosa de crimes praticados contra crianças e adolescentes, garantindo a responsabilização de todos os envolvidos na forma da lei.