
Falta boletim oficial que comprove rotavírus ou novo vírus respiratório em circulação
Desde o começo da semana, moradores de Rondônia passaram a relatar, principalmente nas redes sociais, uma sequência de casos de gripe forte e diarreia intensa. Os vídeos aparecem nos stories do Instagram, nos grupos de bairro do Facebook e nos aplicativos de mensagem. Crianças com vômitos, idosos com febre alta e adultos abatidos viraram assunto comum nas conversas de calçada, no trabalho e nas filas de farmácia.
Em Porto Velho, mães relatam que filhos passaram a madrugada no banheiro. Em Ji-Paraná, servidores comentam afastamentos por gripe que derrubou equipes inteiras. Já em Ariquemes, comerciantes dizem que clientes sumiram por alguns dias por causa de mal-estar generalizado. O assunto ganhou força porque muita gente começou a usar a palavra “rotavírus” para explicar os sintomas.
Apesar da quantidade de relatos, não existe, até agora, confirmação oficial de surto. A Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia não publicou boletim epidemiológico apontando aumento fora do padrão para rotavírus ou para um novo vírus respiratório. Também não há nota do Lacen que confirme circulação atípica de agente viral neste momento.
O que está acontecendo, na prática, é a sobreposição de dois quadros comuns neste período do ano. De um lado, as síndromes gripais. Febre, dor no corpo, tosse e cansaço aparecem com força quando as chuvas apertam, as pessoas se aglomeram mais e o ar úmido facilita a transmissão. De outro, surgem as gastroenterites. Diarreia, vômitos e dor abdominal atingem principalmente crianças, muitas vezes ligadas à água, alimentos mal higienizados ou contato direto entre pessoas.
O rotavírus, citado com frequência nas redes, não é novidade. Ele circula no Brasil há décadas e costuma atingir crianças menores de cinco anos. A vacina faz parte do calendário infantil, porém a cobertura caiu nos últimos anos. Mesmo assim, para que se fale em surto, é necessária confirmação laboratorial e notificação oficial. Isso ainda não aconteceu em Rondônia.
Outro ponto que confunde a população é a mistura de informações antigas com fatos de outros estados. Postagens sobre gripe forte no Pará e em Manaus voltaram a circular como se fossem de agora. Vídeos sem data reaparecem, ganham legenda nova e acabam gerando alarme desnecessário. Assim, a sensação de “onda” cresce mais rápido que os dados reais.
Nos postos de saúde, profissionais relatam aumento de atendimentos por sintomas respiratórios leves e quadros de diarreia, algo esperado para o verão amazônico. A maioria dos casos evolui bem com hidratação, repouso e medicação simples. Internações seguem dentro da normalidade. Não há registro oficial de colapso ou alerta máximo no sistema de saúde.
O risco maior está na desinformação. Quando famílias acreditam que existe um vírus “novo” ou “mortal”, o medo cresce. Por outro lado, quando subestimam os sintomas, atrasam a busca por atendimento, especialmente no caso de crianças e idosos, que desidratam rápido.
Enquanto não sai boletim confirmando surto, o cuidado precisa ser básico e constante. Lavar as mãos, consumir água tratada, higienizar alimentos e manter a vacinação em dia ainda fazem diferença. Se febre persistir, se a diarreia durar mais de dois dias ou se houver sinais de desidratação, a orientação é procurar uma unidade de saúde.
Fonte: Portal Conecta News e outros
